9:07

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim. Eu sei e você sabe que a distância não existe, que todo grande amor só é bem grande se for triste, por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer pois todos os caminhos me encaminham pra você, assim como o oceano só é belo com o luar, assim como a canção só tem razão se se cantar, assim como uma nuvem só acontece se chover, assim como o poeta só é grande se sofrer, assim como viver sem ter amor não é viver, não há você sem mim, eu não existo sem você.

Vinicius de Moraes.

9:06
Eu assisti sem poder fazer nada, enquanto ele se virava pra ir embora.

Lifehouse.

9:06
Eu vi o tempo passar, vi pouca coisa mudar, então tomei um caminho diferente.

Charlie Brown Jr.

9:01

8:58

Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais.

Caio Fernando Abreu

8:57
Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, a força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! Que desabafo! Que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lentejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele se não estenda para cá, e nos não examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados.

Machado de Assis.

8:53

8:51

8:51

Eu não sou mais como antes. Eu mudei. O traço ficou mais rude, mais tosco e o cenário mais real, menos imaginário. Levei um choque de desesperança, mortifiquei os poros no ato da escrita, maltratei a chicotadas os sentimentos mais puros do meu coração. A tinta está espessa, misturo nela a terra que se acumulou nos meus sapatos durante a caminhada até aqui. Rastros empilhados em pinceladas firmes e concentradas buscando a silhueta perfeita da mulher de seios errantes e face desintegrada. No fundo o horizonte do mar se desdobra indicando a rota para o infinito. Nas mãos, rosas despetaladas cobertas de sangue, um contraste catastrófico e fascinante. Os olhos vermelhos entupidos de álcool sobre a tela inquietos e desesperados choram o mundo desencantado e dilacerado. As pupilas dilatadas dilatam o coração. Dali não resta nada, o que restou se explodiu, se foi, foi derrotado pela dor que se calou por um segundo. A respiração para e o pensamento voa. Mergulho na minha própria obra, me viro do avesso na tentativa de sumir. Depois de tempos fiquei sabendo que encontraram a minha alma presa naquela tela recostada bem ali. Até hoje não sei se morri ou renasci. Eu só sei que não voltei mais ali.

— O desaparecimento de mim, Elisa Bartlett.

8:51